Querido amigo

Maio 18, 2008 by Natalia Regina Maciel

 

 

Trazes torradas do jeito que gosto,

e tornas ainda mais ensolarado o meu sábado chuvoso.

Além das torradas, me trazes café,

não muito forte, sem muito açúcar,

porque sabes que assim me fazes esquecer o peso dos dias cansados.

 

Não consigo te esconder o amarelo do sorriso.

Mas mesmo percebendo, não tens muitos questionamentos,

pois sabes que é assim que deve ser.

 

E é por isso que estou aqui,

pois além das torradas e do café,

sempre me trazes tranqüilidade e doçura.

Pois és tudo o que se espera de um verdadeiro homem,

E tudo que espero de uma grande amizade.

 

Fazes algumas torradas e serves o café;

é engraçado  

como as coisas parecem sempre tão claras

pois estás sempre por perto.

Os sonhos que sonho,

os preferidos, sabes de cor

e prometes que farás parte de todos,

e és capaz de lembrá-los com detalhes,

que nem mesmo eu seria capaz de idealizar.

 

Compreendes meus argumentos,

toleras minhas excessivas notações científicas.

Sempre tenho livros teus espalhados pela casa.

Sempre tens recomendações para as inutilidades que exploro e

sempre dás luz à cegueira que inconseqüentemente me anima.

 

Tentas me convencer de jogar as dúvidas pela janela,

Quem sabe na segunda posso resolvê-las?

Mas não é que realmente me convences?! E como me convences!

 

Pois trazes torradas e café,

E nunca esqueces de oferecer um tímido sorriso.

Pois és tudo que se espera de uma verdadeira amizade,

e és a única certeza que tenho na vida.

 

E já que trazes torradas e café,

aproveito para me sentir reconfortada ao teu lado.

Estás em todo lugar que desejo estar,

porque és tudo que se espera de um amigo,

E a única recompensa que ainda esperava da vida.

 

 

 

 

 

Sim, eles querem autonomia.

Maio 12, 2008 by Natalia Regina Maciel

A notícia é velha, mas por sua importância vale a pena voltar alguns dias. Voltemos à 4 de maio, quando os residentes do departamento de Santa Cruz de La Sierra foram às urnas votar a favor ou contra sua autonomia política, administrativa e financeira em relação ao governo central, La Paz. Mais de 80 % dos votantes escolheu pela autonomia. Na prática, isso quer dizer que os recursos gerados por Santa Cruz deixariam de ser enviados em sua totalidade para o governo central e seriam administrados pelo próprio departamento.

Na verdade não é apenas esse departamento que está em conflito com La Paz. A demanda por autonomia é feita por toda a meia lua, que inclui, além de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. Estes outros departamentos prevêm a realização de seus referendos até o final de junho.

Anteriormente já havia ocorrido um referendo nacional pela autonomia, que foi derrotado por muito pouco. Na ocasião, foi acordado entre o governo central e a oposição a discussão do tema na nova constituição. Bom, ela já está aí, pronta, aguardando referendo para ser promulgada. Contudo, a oposição não aceitou esta nova carta e acusa o Executivo de concentrar ainda mais o poder em suas mãos. Baita abacaxi para Morales.

 

The road not taken

Maio 11, 2008 by Natalia Regina Maciel

Two roads diverged in a yellow wood

And sorry I could not travel both

And be one traveler, long I stod

 

And looked down one as far I as could

To where it bent in the underground;

 

Then… took the other, as just as fair,

And having perhaps the better claim,

Because it was grassy and wanted wear;

Though as for that the passing there

Had worn them really about the same,

 

And both that morning equally lay

In leaves no step had trodden black.

Oh, I kept the first for another day!

Yet knowing how way leads onto way,

I doubted if I should ever come back.

 

I shall be telling this with a sigh

Somewhere ages and ages hence:

Two roads diverged in a wood, and I

I took the one less traveled by,

And that has made all the difference

 

Robert Frost, 1874 - 1963

Mercadante não leu Mearsheimer

Abril 29, 2008 by Natalia Regina Maciel

“It pays to be selfish in a sef help world”, disse Mearsheimer em seu livro The Tragedy of Great Power Politics.  Acho que Mercadante não o leu.

O senador de São Paulo pareceu muito ofendido com a decisão argentina de fazer a troca de grãos por gás da Bolívia. Mas o ressentimento não é sem causa; sob o argumento de que precisa atender a demanda interna e evitar novos aumentos da inflação, a Argentina havia suspendido as exportações de trigo para o Brasil.

Ontem,  após ser escolhido como presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, o senador desabafou:

- Quando a Argentina precisou do Brasil, nós ajudamos o país vizinho. Já deixamos de comprar trigo de outros países para manter a preferência dada à Argentina.

Sei que não estamos falando de Great Powers, mas na atual conjuntura da crise das commodities, recessão nos EUA, e todas essas coisas que lemos nos jornais todos os dias, nem sempre dá para ser um bom vizinho.

 

 

 

 

Mais um na onda

Abril 28, 2008 by Natalia Regina Maciel

Dizem que a América Latina está na crista da onda… de esquerda. Convenhamos que esquerdas bem diversas… no entanto o importante não é avaliar os tipos de esquerda que hoje encontramos na América Latina, mas sim seu significado.

Se antes a maioria das populações dos países da América Latina se preocupavam em sustentar a estabilidade democrática no período pós-ditadura e manter os militares bem longe da política, agora os eleitores parecem buscar nas urnas um verdadeiro representante, que lute por suas demandas.

A vitória de Fernando Lugo no Paraguai, no último dia 20, é um exemplo. Após 60 anos de domínio do Partido Colorado, a união da oposição, fortalecida com a ativa participação de movimentos sociais, levou um representante das massas à vitória.

O ex-bispo Fernando Lugo desistiu da vida religiosa já que a legislação paraguaia não permite que indivíduos ligados à instituições religiosas ocupem cargos públicos. Mayra Goulart Silva esclarece que Lugo não se define nem como esquerda nem como radical, apesar de ser a favor de um modelo econômico menos excludente e enfatizar a temática social. Lugo já chegou a afirmar que se identifica mais com o presidente Lula do que com o presidente venezuelano Hugo Chávez, tentando fugir de um estigma radical. Contudo, as demandas pela revisão do Tratado de Itaipu pelo novo presidente pode criar um clima de tensão com o governo brasileiro, que ainda se encontra dividido com relação a esta questão.

Obviamente a eleição de Fernando Lugo sinaliza o fortalecimento do processo de transição democrática no Paraguai. Não digo isso por ele ser de esquerda, já que existem países na América do Sul que experimentam sólida democracia mesmo tendo governos considerados de direita, como é o caso do Peru e da Colômbia. Porém a escolha de um representante escolhido pelo povo de forma legítima, sem fraudes, evidencia o começo de um longo caminho para a concretização da democracia nesse país. 

Sorte

Abril 23, 2008 by Natalia Regina Maciel

Sempre me achei muito sortuda de viver no Rio. A maioria dos meus colegas de trabalho são de outros Estados. Na turma do mestrado, de 10 pessoas, apenas 2 são cariocas. A maioria desse pessoal não consegue voltar para casa, eles ficam encontados com a nossa cidade. Apesar da violência, da dengue, do trânsito, das favelas…Um dia terei que deixar esta cidade, mas onde estiver, serei carioca, sempre!

Essa foto eu bati nas férias de 2006, quando minhas primas de Pelotas estiveram aqui. Foi um mês que me dei o direito de ser turista na minha própria cidade. O Rio tem lugares lindos, qua a maioria dos cariocas desconhece. Infelizmente os passeios turísticos são absurdamente caros, assim como o teatro, os shows, o cinema… para aqueles que não pagam meia, é claro!!

Bom, como este blog é dedicado à América, não poderia deixar de citar a cidade mais linda do continente!!

Negócio é com o Peru!!!

Abril 20, 2008 by Natalia Regina Maciel
Este é o primeiro post de váaaaarios sobre o Peru que vou postar neste blog. Como estou em contato todos os dias com notícias deste país (este é o meu trabalho), nada mais justo quer dar especial atenção para este país, tão negligenciado pelos acadêmicos que se dedicam à América Latina.
O Peru tem se mostrado um caso singular na América do Sul. Diferentemente de vários países do continente, o governo peruano optou por não reverter as políticas neoliberais da década de 90, mantendo políticas econômicas ortodoxas.
Apesar da agitada história política do país, com o autogolpe (1992) e a renúncia (2000) de Alberto Fujimori, passando pelo governo de transição de Valentin Paniagua, pela agitada administração Alejandro Toledo (2001-2006), e chegando à atual gestão de Alan García, todos esses governos mantiveram os mesmos princípios básicos de manejo da economia que elaborou Carlos Boloña, ministro da Economia de Fujimori: disciplina fiscal, abertura comercial, privatização da economia, independência do Banco Central e uma política monetária focada em metas de inflação. A manutenção desses princípios, que concederam ao Peru 15 anos de crescimento contínuo, tem rendido uma boa imagem ao país como destino de investimentos externos, e um possível parceiro econômico.

Em abril deste ano, uma das três mais importantes agências de classificação de risco do mundo, a Fitch Rating, concedeu o grau de investimento ao país, classificação que apenas Chile e México tinham na América Latina. Em entrevista ao jornal peruano El Comercio, Theresa Paiz, diretora para a América Latina da Fitch Ratings, explicou que a gerência das contas internas e externas do país contribuiu para melhorar seus indicadores financeiros em moeda estrangeira para além das expectativas. Segundo o relatório da empresa, o Peru foi capaz de resistir às pressões para incrementar o gasto corrente e utilizou os lucros inesperados, provenientes da alta dos preços das commodities, para convertê-los em infra-estrutura, pagar a dívida pública e aumentar os ativos do país.

Contudo, apesar de toda a riqueza, o Peru ainda não conseguiu solucionar graves problemas sociais, como a desigualdade e a exclusão. Apesar da porcentagem de pobreza ter diminuído razoavelmente, a bonança do crescimento econômico não chegou às regiões da serra e da selva, onde há os maiores índices de pobreza. O país necessita encontrar modelos que permitam levar o crescimento econômico a essas zonas. Existem bases econômicas sólidas para fazê-lo, e o grau de investimento facilitará ainda mais este caminho.

Barriga cheia, mas com inflação

Abril 11, 2008 by Natalia Regina Maciel
Dia desses meu pai voltou desapontado do supermercado. Disse que teríamos que tomar uma decisão drástica: ou parávamos de tomar leite, ou comprávamos uma vaca, o que seria mais barato do que o tanto que ele vinha gastando com o leite de caxinha. Depois da brincadeira ele me olhou com aquele olhar de pai, que sempre sabe mais que os filhos, e soltou a filosofia: é o boom das commodities!
Bom, segundo o presidente Lula, a justificativa para a alta nos preços dos alimentos é que os pobres estão comendo mais. Ontem ele declarou em comunicado à imprensa:
‘Os pobres no mundo começaram a comer .Temos que dar graças a Deus que o povo está comendo mais. E quando pobre está tendo acesso à comida é uma alegria imensa. (…) Se todo mundo voltar a produzir um pouco mais, a gente vai ter mais riqueza, mais emprego e menos inflação”.
O presidente ainda nos dá uma saída: produzir mais. A lógica é a seguinte: aumenta a produção, cai os preços, o pobre come mais e aquece a economia.
Ainda prefiro uma justificativa mais refinada, como a do Paul Krugman, que acredita que a causa do aumento dos preços dos alimentos seja uma combinação da demanda mundial, das condições climáticas adversas, que afetam grandes produtores como a Austrália, e o encarecimento dos combustíveis e da energia.
Para Krugman, a política dos biocombustíveis desincentiva a produção de alimentos. Não descarto esta hipótese, mas não devemos ser ingênuos ao ponto de achar que esta é a única causa do aumento dos preços. O problema deve ser analisado no nível sistêmico. Países asiáticos como China, Vietnã, Filipinas e Camboja, vêm infrentando altas nos preços do trabalho e da energia, o que pode ter tido conseqüências internacionais.

Enquanto isso, o que temos a fazer é uma boa dieta!