Tempo

Agosto 9, 2008

Se pudesse guardá-lo, estocaria; para momentos leves, leituras breves, abraços eternos. Se estocá-lo fosse possível, correria menos, penaria menos, viveria mais. Se fosse moeda, valorizado sempre estaria. Se vendessem, compraria. Se possível fosse vendê-lo, enriqueceria. Se tivesse, usufruiria. Se sobrasse, viajaria. Por não tê-lo, apresento um corpo cansado, olhos fadigados, sono atrasado. Se tivesse, um pouco mais com você ficaria.


Brincadeira de mau gosto

Agosto 8, 2008

O humor besteirol dos americanos já é conhecido. Mas esse video exagera no mau gosto. Perfeito exemplo de xenofobia humorística. Uma amiga me disse uma vez que duvida que americanos percam seus trabalhos para a mão-de-obra barata, já que as atividades que os americanos exercem não são as mesmas que os mexicanos, que vão para o país vizinho lavar privadas. Não concordo, isso é uma visão de quem acha que nos EUA todos vivem bem, têm dinheiro e não passam o miserê que muitas famílias brasileiras passam. Existem famílias necessitadas nos EUA que, principalmente agora em momento de recessão, fariam tudo para estar no lugar de um mexicano empregado. Entretanto, isso não é motivo para ridicularizar os imigrantes que, infelizmente, por sua ingenuidade, migraram para lá para fazer a vida. Impressionante como o desespero leva à falta de respeito.


Hora de partir o bolo

Agosto 6, 2008

Todos falam sobre o “período pós neo-liberal”, mas ainda não encontrei nenhum atrevido que ouse defini-lo. Muitos conjeturam, falam de um ou outro aspecto da nova realidade internacional… contudo, ainda me faz falta um definição sólida.

 

Talvez seja porque é difícil falar sobre o que se vive. Muito mais fácil é observar a história, procurar os fatos a partir dela. Nesse sentindo, utilizando o conceito de Fernando Gil, busco o fundamento do período pós-neoliberal. Como ele surgiu? E por quê?

 

Para minha melhor compreensão do fenômeno, fiz uso de uma metáfora que todo brasileiro conhece. O período pós-neoliberal é aquele que vem depois que o bolo cresce. Já que no período liberal tínhamos que deixar o bolo crescer, para podermos reparti-lo depois, acho que o período pós-neoliberal é aquele em que o bolo já pode ser servido.

 

Não vejo melhor hora para trazer a faca e cortá-lo logo! O Brasil usufrui de inegável estabilidade econômica, inflação controlada (mais alta que nos últimos anos, porém controlada tendo em vista a história econômica brasileira), petróleo à rodo. Temos a riqueza, falta reparti-lá!

 

Entretanto, o período pós-neoliberal traz um novo contexto; a alta dos preços dos alimentos, a questão energética, a escassez de água em alguns países. Os Estados voltam a se fechar para o mundo; políticas protecionistas deixam de ser tão mal vistas como na década de 1990. Melhor exemplo é o fracasso da Rodada de Doha da OMC.

 

Após 7 anos de negociações um grande clima de frustração imperava em Genebra na última semana. O Brasil foi um dos grandes perdedores; deixou de firmar importantes acordos bilaterais na espera de bons resultados na OMC. Índia e China se mostraram bem relutantes em abrir mão de políticas protecionistas, sendo que a última mostrou postura ainda mais rígida ao proibir importações de alimentos a fim de proteger seus agricultores pobres.

 

São as marcas de um novo tempo.


Me divertindo com Rousseau.

Julho 29, 2008

Trabalhos de final de curso, apesar de nos deixarem loucos, podem ser bem divertidos!

Jean Jacques Rousseau faz comparações entre o homem natural e o corrompido pela sociedade. Para ele, as necessidades geram paixões, que são os motores das ações. Contudo, as paixões podem ser cegas e, por isso, maléficas. Desta forma, o estado de natureza é preferível, já que lá não existem necessidades e, por isso, não há paixões. Segue uma reflexão bem curiosa que Rousseau faz em seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens:

“Comecemos por distinguir, no sentido do amor, o moral do físico. O físico é esse desejo geral que leva um sexo a unir-se a outro. O moral é o que determina esse desejo e o fixa exclusivamente num só objeto ou que, pelo menos, faz com que tenha com que tenha por esse objeto preferido um grau bem maior de energia. Ora, é fácil de compreender que o moral, no amor, é um sentimento artificial, nascido do costume da sociedade e celebrado com muita habilidade e cuidado pelas mulheres, que visam a estabelecer seu império e tornar dominante o sexo que deveria obedecer. Esse sentimento, baseando-se em certas noções de mérito ou de beleza, que um selvagem é incapaz de ter, e em comparações que não está em condições de fazer, deve ser quase nulo para ele. Isso porque, posto que seu espírito não pode engendrar idéias abstratas de regularidade e de proporção, seu coração também não é capaz dos sentimentos de admiração e de amor que, mesmo sem perceber, nascem da aplicação das idéias. Ele ouve unicamente o temperamento que recebeu da natureza e não o gosto que não pode adquirir - qualquer mulher convém”.

Coitado, ele deveria ter problemas sérios com mulheres…


Yo Argentino

Julho 18, 2008

Desculpe pelos dois videos seguidos, mas tinha que colocar esse antes que me esquecesse. Essa propaganda passa de 10 em 10 minutos lá na Argentina. É uma publicidade feita pela presidência da nação. Ainda quero entender a finalidade dela, mas acho que se busca “acordar” o nacionalismo no interior de cada argentino. Porém, acho desnecessário… pelos poucos dias que passei na Argentina, pude perceber que aquele povo é bem patriótico, e muito mais engajado na política de seu país de que nós aqui no Brasil.